sábado, 29 de outubro de 2011

JÁ OLHOU PRA FORA HOJE?



      Você acordou, preparou seu café, leu as noticias do seu país no seu jornal preferido e viajou o mundo numa rede de dados infinitos sem ao menos sair de casa. Se antes era preciso ir ate à banca de jornal da esquina, hoje a notícia vem até você.
      Estamos vivendo numa Era tecnológica onde quase não existem limites (o término da cidade tecnológica está no término dos dados), e para se adequar a este novo tempo, modificamos constantemente nossos hábitos e comportamento. O avanço da tecnologia encurtou as distâncias, reconfigurou a relação entre pessoas e lugares e expandiu as possibilidades de informação e comunicação: surge uma nova maneira de ver o mundo, não baseado na percepção, nas experiências individuais e coletivas entre homem e meio, mas nas representações dele pelas “falsas” janelas (TV, computador, tablet, celular,...), na interação por meio dessas máquinas tecnológicas.
     Somos agora nômades sedentários¹, viajando o mundo (super dimensionado) no conforto de nossas casas (agora cápsulas de isolamento).

     E nessa nova vida, só isso eu preciso: tomar o meu café e ter o mundo às minhas mãos.



O artigo acima tomou como referencia os textos: De interfaces tecnológicas e rascunhos de experiências, de Rita Velloso; e Cidades Fantasmas, de Fernando Freitas Fuão.


*¹ - CAUTER, Lieven de. The capsular civilization: On the city in the age of fear.

Lieven de Cauter: filósofo belga nascido em 1959 e hoje vive em Brussel. Formado em história da arte e filosofia, Leciona filosofia na escola de cinema Hij RITS, em Brussel e na Escola de Dança PARTS, também em Brussel; e pertence à Universidade Católica de Louvain, onde ensina na Escola de Arquitetura e integra, desde 1997, o grupo OSA, de pesquisa em arquitetura e urbanismo. Leciona também na Willem De Kooning Academie, em Rotterdam. Escreve regularmente nos periódicos Archis e Oase.Suas publicações incluem: Archeologie van de Kick. Verhalen over Moderniteit en Ervaring (1995), De Dwerg in de Schaakautomaat — Benjamin's verborgen Leer (1999). Ele é co-autor de Dat is Architectuur! (2001).. Em 2004 reuniu vários de seus ensaios em uma tradução inglesa, intitulada The capsular civilization: On the city in the age of fear, Rotterdam: NAI publishers, 2004. Muitos dos seus escritos estão disponíveis no site http://www.oxumoron.org.